Você já ouviu falar na TREK 9000?

Sendo uma das primeiras bikes full-suspension da época, trouxe inovação no design e combinava componentes de alto desempenho. Certamente o sonho de consumo de muitos ciclistas.

 

A bike que você vê nesta matéria pertence a um dos proprietários da Doutor Bicicleta. O texto foi produzido pelo Marcelo, ou Jassa, grande entusiasta do meio, responsável por dar nova vida a muitos modelos que pararam no tempo. Você confere os contatos do Jassa no final da matéria.

Surgimento das Full Suspension

No final da década de 80, havia uma intensa busca pelo aprimoramento das suspensões dianteiras. As competições se tornavam mais rápidas e perigosas e já existiam várias alternativas para absorver o impacto que as bikes tinham que suportar. No entanto, a tecnologia de materiais era muito recente para suspensões de bicicletas. Muitas das soluções eram pesadas, simples demais e as vezes complexas e cheias de problemas devido a concepções pouco confiáveis.

Imagem retirada do catálogo da TREK da época
Imagem retirada do catálogo da TREK da época

Paralelo a isso, já existiam algumas experiências com bicicletas com suspensão traseira, vislumbrando um futuro, mesmo que estas eram rejeitadas pelo seu grande peso e pouca performance na época. No início dos anos 90, era costume utilizar a mesma bike para provas de Cross Country (hoje chamada de XC), Uphill (esse tipo de prova não existe mais) e downhill. Elas vieram através da tentativa e erro, muitas desapareceram na mesma velocidade que surgiram e outras vieram para serem ícones de uma época. A TREK tem seu lugar reservado ao sol e no final de 1991 surgiu a TREK 9000.

TREK 9000 

Bicicleta TREK 9000 1992
Bicicleta TREK 9000 1992

Com uma concepção básica e design moderno para época, a TREK 9000 foi um salto em projeto de bicicletas de suspensão dupla. A marca estava em plena ascensão e a bike foi muito bem recebida pelos fãs da marca. Com uma proposta apostando na compressão resultante dos impactos gerados pelo terreno, a TREK 9000 funcionava com sistema de link tipo gangorra. Este, foi denominado de T3C (“trave is three times compression”), traduzido como 3 polegadas de curso de compressão. Posteriormente foi denominado T4C com o aumento no tamanho do amortecedor traseiro para atingir maior curso.

Sistema denominado T4C.
Sistema denominado T4C.

O amortecedor traseiro de construção específica para a TREK 9000 a base de elastômero foi chamado de A.B. Zorby. Localizado na extremidade oposta ao eixo da roda, tinha seu único pivô posicionado no centro de gravidade dinâmico. O sistema foi desenvolvido para que os impactos pudessem ser absorvidos sem transferência da força ao piloto. Tudo projetado para que o amortecedor atingisse o ideal de 70mm de curso (2,75”) que era o padrão definido na época.

Problemas do projeto

O projeto da TREK foi duramente criticado, nessa época houve uma explosão de outras tecnologias de link traseiro, muitas delas de sucesso até os nossos dias. A TREK 9000 passou por uma prova de testes comparativos em que muitos problemas foram evidenciados e que a levaram a condenação.

Amortecedor Traseiro

Como o parâmetro de referência são as já consagradas Hard tails, comumente chamadas de “rabo duro”, os principais problemas apontados em relação a outras bicicletas de suspensão total, foram:

Flexão lateral: A TREK 9000 tinha apenas um link pivotante no Seat tube que era muito propício ao movimento lateral. Mesmo com a robustez do sistema, o peso total da bicicleta contribuía para acentuar o problema. Este era um problema comum na maioria das bikes full suspension da época.

Sistema de link tipo gangorra da TREK 9000.
Sistema de link tipo gangorra da TREK 9000.

Efeito “Bob”: O mais temido e detestado dos problemas de todas as bicicletas de suspensão total,  era caracterizado pelo balanço causado pela pedalada. A cada giro realizado pelo pedivela, a traseira afundava e retornava, quebrando o torque do ciclista e minando a resistência. Era necessário pedalar duas vezes mais para compensar a perda em comparação às hardtail. Nestas, a perda era nula, já que não havia movimento de amortecedores na traseira.

Passadores de marcha Shimano Deore LX.
Passadores de marcha Shimano Deore LX.

O sistema T3C, foi concebido para absorver os impactos, mas não existe controle de transferência de torque das pedaladas. Seu amortecedor traseiro tinha pouquíssimas possibilidades de ajuste de compressão e quando reduzida o efeito “Bob” era ainda mais evidente.

Nessa época, não existiam sistemas de trava nos amortecedores traseiros. Estes inclusive não podiam ser travados, pois os pivôs eram eixos em buchas revestidas de teflon e eram os pontos fracos da bike, se fossem travados eles quebrariam.

Construção da bike

Peso: No início da década de 90, as bicicletas convencionais, pesavam em média 13kg, as bicicletas de suspensão total chegavam a pesar 15kg, muitos questionavam a existência das bikes full, não havia muita lógica em ter bicicletas pesadas com tecnologia pouca desenvolvida e que eram muito inferiores em performance em comparação as Hard Tails. Ainda levou alguns anos para descobrirem o potencial das bikes full, para provas de downhill especificamente.

A TREK 9000, não era uma bicicleta leve, já no início dos anos 90, surgiram bicicletas de suspensão total, com peso 12kg. E com as peças certas podiam chegar a 10,50kg.

Maior parcela do peso da bike concentra-se no quadro e garfo.
Maior parcela do peso da bike concentra-se no quadro e garfo.

A TREK 9000 tinha o peso de 13kg. E foi considerada pesada, já existiam bicicletas de fibra de carbono, titânio “rabo duro” com incríveis 10kg. Seu setup de peças dificultava a redução de peso por substituição por outras mais leves, pois o peso se concentrava no quadro e suspensão dianteira.

 Variações do modelo

No final de 1992 a TREK ainda lançou a TREK 9500 sendo lançada com o novíssimo grupo Shimano XTR m900. A produção da TREK série 9000 ainda durou mais um ano e em 1993 ela foi descontinuada. Na época haviam muitos testes de todas as marcas e modelos, que eram mais imparciais do que os testes “comprados” pelas marcas para propaganda própria. de hoje nas revistas, infelizmente a fama atribuída a TREK 9000 a eliminou do mercado.

Imagem da TREK 9500 retirada de catálogo da época.
Imagem da TREK 9500 retirada de catálogo da época.

Não existem registros da utilização da TREK 9000 e 9500 em provas oficiais no circuito mundial de MTB na época. Porém, esta foi uma bicicleta icônica, faz parte da história da época de ouro na evolução do MTB. Considerada uma bicicleta Old School (bicicletas de 1985 a 1997, na Europa até 1995), seu valor colecionável é alto. Hoje existem poucas TREK série 9000 em estado de coleção, que são muito procuradas por colecionadores e entusiastas da época. Apesar de tudo é uma bicicleta muito divertida de pedalar. Hoje ela estaria mais para uma bicicleta de Downhill do que para XC, na época não havia muita distinção de modalidades, que só veio a surgir com força a partir de 1997.

Ficha técnica – Componentes da TREK 9000

Veja abaixo a ficha técnica completa conforme o catálogo da época:

Assista o vídeo abaixo e confira o visual da bike:

 

 Conclusão

A TREK 9000 foi muito bem aceita pelos ciclistas da época. Com um design diferenciado, a bike foi uma das primeiras full suspension a serem lançadas no mercado. Apesar de alguns  problemas com o projeto, o pioneirismo das marcas como a TREK com a fabricação destas bikes, contribuiu para a evolução dos equipamentos disponíveis atualmente.

Esta certamente foi sonho de consumo de muitos ciclistas da época e chama atenção com sua robustez e combinação de componentes.

Novamente agradeçemos o Jassa pela colaboração e a parceria com o Blog da Doutor Bicicleta em se disponibilizar e produzir este material. Confira seu Instagram e e Blog  ou clique na logo abaixo para ser direcionado ao seu Facebook:

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Voltando no tempo: Conheça a TREK 9000 1992

3 ideias sobre “Voltando no tempo: Conheça a TREK 9000 1992

  • 27 de agosto de 2017 em 22:38
    Permalink

    Tenho uma trek dessa ! Muito boa mesmo .

    Resposta
  • 13 de Janeiro de 2018 em 15:33
    Permalink

    Tenho duas dessas, uma quase sem uso, e outra que eu uso. Gostaria de saber quanto valem?

    Resposta
    • 15 de Janeiro de 2018 em 08:43
      Permalink

      Juliano, o preço varia muito conforme o estado e a originalidade dos componentes da bike. Fale com o nosso amigo Jassa pelo Facebook que ele poderá te ajudar! (:

      Resposta

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